Carta ao Mundo
Deixo aqui,
As minhas últimas palavras,
Pois,
Talvez elas ainda signifiquem muito para uns.
Renuncio,
Neste exato momento,
A tudo aquilo que,
De fato,
Nunca fora meu.
Renuncio ao triste privilégio de amar,
Ao doce gosto de sonhar.
Foi-se o tempo em que as coisas pareciam maiores,
O tempo em que um sorvete,
Refrescava o coração e a mente,
Alimentando o sorriso da alegria,
Que há muito
Deixou de dividir todos os seus momentos.
Foi-se o tempo em que o horizonte era,
Mais do que o local onde o Sol descansava,
Era o local onde o Sol nascia.
O que talvez pareça covardia,
Seja a coragem de poucos,
De fugir em definitivo,
Da prisão perpétua,
De livrar-se da senzala,
De dar descanso às já extintas lágrimas.
Julgar este caminho,
Seja talvez,
A certeza de que a timidez dos sentimentos,
Impede que outro coração,
Que não o seu,
Desfrute de suas virtudes e problemas.
Faço-me das palavras de Drummond,
E rego a Flor pela última vez,
A cada letra escrita,
A cada movimento.
Os sentimentos tornaram-se mais importantes até,
Do que o próprio corpo que os faz.
Deixo os sonhos,
Para os pássaros que ainda voam,
Para que possam levá-los aos céus,
Para que possam semeá-los,
Por todo o jardim onde haja uma muda,
Dando seus primeiros suspiros,
E trazendo ar puro aos seus campos.
Deixo o amor,
Para aqueles que ainda não o conhecem,
Para que,
Quem sabe,
Provem dos seus melhores frutos.
Deixo as mãos,
Para aqueles que delas precisam,
Por não perceber que têm suas próprias.
Deixo aquilo que,
Não cresce mais em mim,
Que tanto me fez,
Para aqueles que a façam inflar,
Que a tornem bela e lapidada.
Deixo tudo em nome da esperança,
Em nome do tempo,
Que se tornou a única certeza,
E que mantém as respostas,
Em completo e absoluto segredo.
M. Fróes
06/12/2005
As minhas últimas palavras,
Pois,
Talvez elas ainda signifiquem muito para uns.
Renuncio,
Neste exato momento,
A tudo aquilo que,
De fato,
Nunca fora meu.
Renuncio ao triste privilégio de amar,
Ao doce gosto de sonhar.
Foi-se o tempo em que as coisas pareciam maiores,
O tempo em que um sorvete,
Refrescava o coração e a mente,
Alimentando o sorriso da alegria,
Que há muito
Deixou de dividir todos os seus momentos.
Foi-se o tempo em que o horizonte era,
Mais do que o local onde o Sol descansava,
Era o local onde o Sol nascia.
O que talvez pareça covardia,
Seja a coragem de poucos,
De fugir em definitivo,
Da prisão perpétua,
De livrar-se da senzala,
De dar descanso às já extintas lágrimas.
Julgar este caminho,
Seja talvez,
A certeza de que a timidez dos sentimentos,
Impede que outro coração,
Que não o seu,
Desfrute de suas virtudes e problemas.
Faço-me das palavras de Drummond,
E rego a Flor pela última vez,
A cada letra escrita,
A cada movimento.
Os sentimentos tornaram-se mais importantes até,
Do que o próprio corpo que os faz.
Deixo os sonhos,
Para os pássaros que ainda voam,
Para que possam levá-los aos céus,
Para que possam semeá-los,
Por todo o jardim onde haja uma muda,
Dando seus primeiros suspiros,
E trazendo ar puro aos seus campos.
Deixo o amor,
Para aqueles que ainda não o conhecem,
Para que,
Quem sabe,
Provem dos seus melhores frutos.
Deixo as mãos,
Para aqueles que delas precisam,
Por não perceber que têm suas próprias.
Deixo aquilo que,
Não cresce mais em mim,
Que tanto me fez,
Para aqueles que a façam inflar,
Que a tornem bela e lapidada.
Deixo tudo em nome da esperança,
Em nome do tempo,
Que se tornou a única certeza,
E que mantém as respostas,
Em completo e absoluto segredo.
M. Fróes
06/12/2005


1 Comments:
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