Thursday, October 19, 2006

Traiçoeiros cantos do amanhecer

Traiçoeiros cantos do amanhecer,
Repletos de beleza,
Que nos trazem de volta ao existir,
Deixando a única lembrança em forma de lágrimas...
No lugar do Vermelho dos céus,
O Azul.
No lugar das asas,
As pernas.
No lugar do sortido,
A fealdade de poetar...
Por tantos cantos suportei o vazio das palavras,
Mergulhado na penumbra das idéias,
Incandescentes,
Porém discretas...
Andar por trás das árvores,
De forma a não ser visto,
Disputando cada sombra com um desconhecido...
Buscam uma resposta por entre as nuvens,
Encarando de frente a luz do sol,
E acusando de cegos os que não querem pagar...
Afogarei os gemidos do ser,
Arriscando a face ao fétido,
Trazendo à memória os cavaleiros jogados às trevas,
Cultuando o luto à suas almas...
E quando o tempo não mais me quiser,
Levando a minha ensangüentada impueira,
O luto das minhas impugnações será cultuado,
Pelo renunciar do coração,
Em nome das pulsações enérgicas de uma nova felicidade...



M. Fróes

20/10/2006

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