PAUSA
Da licença ao retorno, apenas silêncio, uma pausa, versos que rimaram vida com alma! Embriagando-me dia a dia, do vazio às palavras. Calar-se em carne, escondendo-se em incapacidade. Quisera ter o dom das palavras, assim como a sua amizade, confidenciando-as a verdade. Não por precisar, apenas por necessidade. De que vale tudo, se não a entrega à arte? Não há como ser, sem doses inacabáveis de subjetividade.
Apenas uma janela nua, livre, em contínuo retrato, alguns goles de vida, força e fragilidade.
Preenchendo o peito sem regras, métricas, pretensão, tão somente por diversidade. Delírios pagam-se por si, valem a própria vida, a própria liberdade.
Não alteraria cada caminho feito, ainda que por cuidado, não evitaria, mesmo que soubesse. Não nascemos para compreender, mas para sentir, ser.
Orgulho-me de cada verso escrito, de cada escrita imperfeita, de cada palavra não dita, cada falha cuidadosamente mal pensada. Tornaram-me quem sou, minha verdade.
Levarei meu tempo para cada poesia, cada eventualidade. Que cada alma possa ter suas possibilidades. Meus erros serão de todos, divididos em versos, não há facilidades.
Não há segunda chance, o passado veste-se em futuro. Talvez não haja o por quê, do contrário, para quê seriam as metáforas?
Cada segredo pertence a uma alma. Cada alma pertence a um segredo. Cada um em seu tempo. Cada tempo em seu momento. Cada momento em sua alma.
m.froes
25/03/2020


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