À noite o saudosismo perde
espaço, para os anos já passados e a fadiga de ser. À frente do porta retratos,
um calendário do ano corrente, uma garrafa de alguma bebida quente e o
esquecimento do elo eterno, que nem sei mais de quê.
Ao som do ventilador, alguns
ruídos na rua, poucos, e da própria respiração, nota-se o falso valor do
para sempre e que, se passou, não há porque voltar então.
Anos depois os abraços não
são os mesmos, são confusas lembranças, respeito a outro tempo, talvez. Que dos
amigos que tive, muitos eu nem mais sei.
Nos prantos dos pulsos, em
que os braços eram curtos, nos pilares em que segurei, assinei minha gratidão.
Que sumam de vez todas as vozes em solos, em solitária canção.
Que da confiança, não se
disfarce em ciúmes. Que da ausência, não se mascare em tempo. Que do
arrependimento, não se faça em culpa.
m.froes
13/01/2013


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