Saturday, October 24, 2020

ENSAIO SOBRE O TEMPO

Aprisionado em olhar sereno, na estupidez de um eterno aprendiz, busco em goles algum argumento, que sentencie a culpa do tempo, dando voltas em inúteis pensamentos.

Uma corrida sem sentido, que a chegada no tempo se encerra e, no fim, até mesmo as nossas dores, enterra. Por consolo ou falsa pena, chora e lamenta.

Me entrega o incondicional, travo uma batalha perdida, sendo imperfeito, ingênuo, mortal. Ergo a cabeça e sigo, mas a cada passo me vejo em maior conflito. A quem reivindico quando de mim é tirado o sobrenome? Usado, como fosse apenas emprestado, perdendo o que mais faria sentido na vida, de exemplo a um mero cargo, comprado. 

Não culpo mais os que desistem do tempo, quando o orgulho se esvai. Aceitam a sentença de culpa, perdem as forças na luta, apenas choram por haver outro “pai”.

Sussurro ao tempo, entregue à sorte, que zombe dos meus dias, até a minha morte, mas não mais da dor, como alento. De herdeiros, bastam os meus pensamentos.

Me prende no pouco que deveria me pertencer, mas me libertará e, neste dia, eu esquecerei dele, mas ele não poderá me esquecer.

m. froes 

25/10/2020

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