Sunday, June 03, 2007

Despedida

Cada momento,
Cada instante,
Que não voltarei mais a ver...
Com o hoje,
A certeza de que serei apenas para mim,
Nada mais...
Sobre uma sombra,
Cantar em versos a aflição dos olhos,
A angústia do violão,
O anoitecer da manhã...
Pobres palavras,
Que em incansáveis regressões,
Não dizem nada,
Nem mesmo a mim...
Aos que ainda cantam,
Estarei em algum lugar distante,
Ouvindo as suas canções,
E em absoluto silêncio,
Rasgando cada retrato,
Cuidadosamente...
A chuva apaga cada resto de sonho,
Levando a vida,
Confundindo-se em lágrimas...
Por tantos dias,
O caminho estará em branco,
Coberto por plantas,
Vestido de passado,
Até nunca mais...
Despeço-me de mim,
Desfazendo-me em música,
Entoando uma nova melodia,
Que jamais voltará a ser ouvida...



m. froes
03/06/2007

11 Comments:

Blogger eu said...

Adeus, velho você!
Olá, novo você! Muito prazer!!

6:11 PM  
Blogger M. Fróes said...

"Aos que ainda cantam,
Estarei em algum lugar distante,
Ouvindo as suas canções,
E em absoluto silêncio,
Rasgando cada retrato,
Cuidadosamente..."
rs

o prazer é todo meu...

6:13 PM  
Anonymous Anonymous said...

"So, so you think you can tell
Heaven from Hell
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

And did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
And hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish

(HOW I WISH YOU WERE HERE!)

We're just (TWO LOST SOULS)

Swimming in a fish bowl
Year after year
Running over the same old ground
What have we found?

(THE SAME OLD FEARS)

(WISH YOU WERE HERE...)

11:08 AM  
Anonymous Anonymous said...

"os mesmos velhos medos..."

11:12 AM  
Blogger M. Fróes said...

Sequer sei se tenho heróis...
Talvez tenham sido realmente trocados por fantasmas, ou por simplesmente por vilões...
Os sofejos do solo de guitarra me trazem algo que há muito procurava, as lágrimas.
Sempre estive quase por chorar. Não foi por falta de coragem... Como eu queria poder estar aí, mas nunca posso estar onde sempre quis... tantos foram os lugares, mas tão poucos... são realmente raros, e chegam a nos custar lágrimas...
Posso estar confundindo a vida e a música com o amargo sabor do querer, mas não importa, apenas quero.
Continuo a nadar no aquário, em forma de alma, buscando o meu corpo, tentando me achar em meio às razões que desconheço...
Aprendi a conviver com o vazio das águas, que trazem e levam suspiros em suas correntezas.
Aprendi que devo voar sempre por conta própria, que devo ser apenas para mim. o ninguém não merece minhas lamentações, sequer deseja ouví-las... deseja apenas o meu sorriso, mesmo que em descompasso com os olhos.
Os mesmos e velhos medos que começo a conseguir lidar, sem dar nenhum passo à frente. Tão vivos quanto os pulsos mentirosos, mas debaixo de sombras ocultas...
Os mesmos e velhos medos... começo a entendê-los mais, entendendo-os cada vez menos... não passam de medos, inofensivos, potencializados...
Não consigo distingüir minha própria imagem frente ao espelho, mas ainda posso ver através dela. Vejo-a fortalecida, não consigo distngüir com clareza força e fraqueza...
Sei que não posso, exatamente como todas as outras poucas vezes, mas ainda queria estar aí...
Continuarei em algum lugar, rasgando cada foto cuidadosamente, tentando guardar o passado em boas e passageiras lembraças, nada mais, exatamente como ele sempre fez comigo...

6:47 PM  
Blogger M. Fróes said...

"Is there anybody out there?
Is there anybody out there?
Is there anybody out there?
Is there anybody out there?"


"Does anybody here remember Vera Lynn
Remember how she said that
We would meet again
Some sunny day
Vera! Vera!
What has become of you
Does anybody else in here
Feel the way I do ?"

6:55 PM  
Blogger M. Fróes said...

Agradeço à quem postou a música, me fez completar e crescer a reflexão feita nos últimos versos...
Pink Floyd, pegaram em meu ponto fraco... rss

7:07 PM  
Blogger eu said...

apesar de toda aquela teoria sobre o sofrimento ser opcional, existe um sentimento do qual nao consigo me livrar: nostalgia... my sweet sadness...

como eu queria que o presente fosse exatamente do jeito que eu pensava que iria ser na época em que eu me julgava realmente feliz...

mas tudo bem, eu sei que um dia vai ser. um dia eu também vou chegar exatamente aonde eu sempre quis estar. e enquanto isso, eu vou indo, tentando aproveitar os desvios da melhor maneira possível... antes que tudo realmente se acabe...

7:40 PM  
Blogger eu said...

apesar disso, aprendi que a felicidade não concerne à dimensão cronológica do tempo, e, consequentemente, não pode ser descrita e/ou sentida através dela.

talvez esse seja o motivo pelo qual não nos consideremos tão felizes quanto gostaríamos...

7:51 PM  
Blogger Catharina Gonzaga said...

Que o tempo passe... que o tempo passe rápido, que sane todas as dúvidas, todas as dores... que a vida volte aos poucos a ser plana, porque a vida às vezes parece inclinada, desequilibrada. Que saibamos conviver com o que há de bom e de ruim em nossas escolhas. Os mesmos e velhos medos... foi o que eu encontrei... foi o que eu escolhi... minha sensatez, a qual sequer sabia que existia, tomou conta de mim (será mesmo "sensatez"?)...

5:46 AM  
Blogger Catharina Gonzaga said...

and... I'm the other... of course...

5:49 AM  

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