Em saudosismos nadava,
De tempos findos me entorpecia,
E no cárcere das recordações,
Buscava a morfina para ser...
Em Neruda me angustiava,
De Drummond me confortava,
E na condicional das trovas,
Não queria mais entender...
E por não crer,
Em doses diárias,
Me desfaço de todas as rimas,
Das lúgubres às de saudade.
Em apenas uma canção,
Divirto-me com os prantos,
De tantas outras,
Que agarrei-me em dissonar.
Minha saudade é de hoje,
Minha aflição é pelo porvir,
Meus versos ainda nas primeiras sílabas,
Minhas rimas, revelando-se em métricas.
E por dormir em prazer,
Tristezas na alvorada,
Reserva no olhar,
Um dia a deslembrar.
Palavras que afagam,
São inábeis de desvanecer,
Todos os escritos,
Do teu passado e por ti confirmado.
Na singeleza do meu silêncio,
Oculta-se uma senda percorrida,
Em cada curva,
E em todos os tons de embustes.
Das rimas primeiras,
Desfaço-me de sonetos poucos,
Reescrevendo-os nos próximos suspiros,
Por nesse canto acreditar.
m. froes
17/11/2012

