Wednesday, July 26, 2006

Dilema

Para que insistir?
Já bastam os calos,
Os tropeços,
Em seus próprios prazeres...
Se eu pudesse escolher,
Mas escapa por entre os meus dedos,
Deslizando e inundando completamente...
Agora já é tarde,
Não há mais nada a fazer,
Apenas chorar...
Finalmente chegou a hora,
Inspirar,
Encher os pulmões,
Gritar para todo o interior,
Sem ser ouvido...
Despedaçar flores,
Rasgar papéis,
Desperdiçar sonhos...
Por quê?
O que fiz?
Cada passo exatamente onde deveria estar,
Em cada momento da lembrança,
Inevitável é seguir em frente...
Esperar mais uma vez por ele...
O tempo,
Que corrói cada segundo,
De forma impiedosa...
E quando por fim acabar,
Restará o triste saber,
De que tudo terminou,
E de que o vazio não é a melhor saída...


M. Fróes
19/07/2006

Wednesday, July 19, 2006

Esclarecimento

Só queria dizer pra vocês uma coisa, não sou pessimista!
As vezes alguma coisa pode parecer, mas tente ver nas entrelinhas, com certeza não é o que parece.
Talvez não esteja nas entrelinhas, mas nesse caso eu com certeza estarei sendo mais específico, falando de algo mais fechado, como um sentimento por exemplo.
É isso!

Monday, July 17, 2006

Desabafo

Não consigo mais mentir,
Arrependido do que não errei...
Não consigo mais esconder,
O olhar distante e perdido não se deixa enganar...
É preciso descansar,
Estender as mãos e ter os pulsos cortados,
Não dá mais...
É preciso acreditar,
Que as palavras de Neruda,
O tempo irá desmentir...
Dormir não é o bastante,
As olheiras são mais profundas do que o sono...
Esperar não adianta mais,
Os únicos ombros próximos são os meus,
E completamente encharcados...
Já deu para entender,
O que passou não vale mais,
Se prender é se machucar...
Ao menos ainda restam os violões e os pianos,
Que a cada nota,
Dizem exatamente o que se quer ouvir...
Ao menos ainda restam os versos,
Que mesmo que medíocres,
Ainda servem para consolar...
Talvez eu preferisse não os ter conhecido,
Cada fase em seu tempo...
Suar para crescer?
Ou crescer para suar?
De qualquer forma,
Ainda resta um caminho,
E é o único em que devo acreditar,
Reaprendendo a falar,
A viver,
Recomeçando do zero,
Assim que o passado deixar...


M. Fróes
17/07/2006

Monday, July 10, 2006

Lembranças

As lembranças dos dias,
Que hoje não são mais possíveis,
Pelo menos para mim...
Cada momento,
Dividido com inocência,
Pelos sorrisos puros.
Cada vontade realizada,
Cercada da importância das amizades,
Que hoje conquistam tantos campos,
Deixando para trás,
A magia do ser criança.
A primeira das vontades que,
Entra pelas noites frias,
Em forma de sonho...
A cada instante,
A cada partida,
Um novo feche de luz,
Mais,
Ou menos intenso,
Ocupando os cantos vazios,
Do quarto,
Iluminando as imagens em preto e branco,
Nos porta-retratos,
Num ciclo sem fim...
Quando uma janela se abre,
E por trás daquela doce luz,
Que cegou os olhos,
Ainda feridos,
Revela-se um Anjo,
Soprando os ventos da felicidade,
Da esperança,
Que tanto custou,
Some por entre as nuvens,
Escondendo-se do coração que,
De perto o viu,
E que por todas as noites,
O procura por entre as estrelas...


M. Fróes
25/04/2006

Friday, July 07, 2006

Descoberta

Eu descobri um mundo novo,
Provando de todas as suas magias lendárias,
E sem perceber,
Estava completamente envolvido,
Sem sequer sentí-lo...
Conhecendo as fronteiras entre a semente e a flôr...
Era como um sonho!
Em segredo,
Confiar cada palavra ao meu próprio sono,
Ao meu próprio sorriso...
Eu já podia sentir!
Dentre tantos,
Escolher o mais longo dos caminhos,
Mesmo com todas as suas incertezas,
Mesmo sabendo que a maior parte poderia não existir...
Jamais voltaria atrás,
Faria diferente do que fiz,
Ou pegaria qualquer atalho,
Mesmo que à frente estivesse o fim,
Ou não,
Pois com certeza houvera um início e um meio...
É inegável o aprendizado,
Conhecer o além das palavras,
O significado de cada uma delas,
Em cada poesia,
Antes tão vazias...
Difícil aceitar que coisas tão grandes possam sumir,
Ou pelo menos se esconder tão bem...
As vezes ruins na presença,
Quase sempre ruins na ausência.
A cada momento,
O mundo um segundo mais pesado,
Porém mais forte.
Esquecer o horizonte que ficou para trás,
Olhando fixo para o que está à sua frente!
Apagar as pistas de que um dia ali foi feliz...
Criar raiz e se arrancar...
Hora de ir embora quando o corpo quer ficar...
Ir deixando a pele em cada palco sem olhar pra trás,
E sem jamais,
Jamais dizer,
Adeus!!!
Por essas e outras não esquecerei dos calos nos pés
E nem das altas marés que tivemos de superar,
Ondas gigantes que batemos de frente,
Nos mostram nossa força e perseverança ao lutar...
Que nesse encontro que acontece agora,
Cada um possa se encontrar no outro,
Até porque tem horas que a gente se pergunta:
Por que é que não se junta tudo numa coisa só?
Talvez porque se todos os sóis nascessem todos os dias juntos,
A claridade ofuscasse tudo por ela iluminado...
Tirando de cada momento,
A essência das descobertas,
Sobre todas aquelas que foram feitas,
E que tornaram o atual tão mais fácil de se lidar.


(me fiz de dois trechinhos, achados no álbum de uma amiga)

M. Fróes
Junho de 2006

Introdução

Bom, meu nome é Murilo e sou um amante da poesia. Sempre que estou com angústias, tristezas, incertezas, revolta, e em alguns poucos momentos, alegria, ou algo do tipo, confio meus pensamentos aos versos. A alegria não é tão presente nos meus versos, pois, pelo menos para mim, é o mais fácil de ser compartilhado, de ser expressado.
Pessoalmente, não gosto muito de poesias objetivas. Mais fácil fazer um texto.
Acredito que a poesia está em transformar os sentimentos em palavras, lapidando e polindo cada sílaba, com figuras, metáforas, passando para o leitor o tamanho da complexidade e da importância das emoções. Criar um quebra-cabeça, cuja o resultado final, tal qual se encontra na "capa do jogo", só é possível com o mergulho completo em cada som emitido pelo pensamento no momento da leitura, com o sentir do sorriso ou das lágrimas do poeta em seu próprio coração. Criar outras alternativas possíveis, para que cada um possa usar de acordo com o seu momento, se identificando e confortando, não se sentindo sozinho e completamente perdido.
Poesia é poder sentir a vibração de uma música silenciosa...