Thursday, August 24, 2006

Não sei mais escrever...

As mãos tremem,
Pagando por um dia terem sido covardes.
Os olhos enrijecidos,
Não faz mais sentido...
A repetição que,
Não acompanha mais os sentimentos...
Imploro pelas desculpas,
Dos poucos que ainda restam...
O desejo reprimido,
De queimar,
Uma por uma,
Apagando de vez,
Restando apenas as lembranças esquecidas...
Tantas lendas,
Tantos mitos,
É difícil mesmo sofrer sozinho.
Onde estarão os que já choraram?
Será que existem?
Talvez estejam também à minha procura,
Mais perto do que se possa imaginar,
Mesmo sabendo que não os ajudarei...
A cada passo,
Uma nova surpresa,
Reacendendo a tão apagada esperança,
Trazendo em cada suspiro,
Ar renovado ao coração.
Talvez não fosse o fim,
Fosse apenas o meio,
Clareando a sorte,
E trazendo-a delicadamente...


M. Fróes
22/08/2006 - 24/08/2006

Tuesday, August 15, 2006

Confissão

Difícil era pensar,
Saber que era inevitável,
Tentar adiar...
Não faz mais sentido...
Por quê?
Deixa-me viver!
Nascer novamente,
E reviver de outra forma...
Olhares fixos,
Porém perdidos,
Até nunca mais...
Que esse fosse o último verso,
Que essa fosse a última noite,

Que esses fossem os últimos acordes,
Que essas fossem as últimas lágrimas...
Sempre será muito cedo...
Poder ao menos olhar,
Entrar em cada sonho,
E nunca mais voltar...
Aprendi sobre o silêncio,
Descobrindo e entendendo que,
Nenhuma palavra será capaz,
E que o perdão é impossível...



M. Fróes
15/08/2006

Tuesday, August 01, 2006

Carta ao Mundo

Deixo aqui,
As minhas últimas palavras,
Pois,
Talvez elas ainda signifiquem muito para uns.
Renuncio,
Neste exato momento,
A tudo aquilo que,
De fato,
Nunca fora meu.
Renuncio ao triste privilégio de amar,
Ao doce gosto de sonhar.
Foi-se o tempo em que as coisas pareciam maiores,
O tempo em que um sorvete,
Refrescava o coração e a mente,
Alimentando o sorriso da alegria,
Que há muito
Deixou de dividir todos os seus momentos.
Foi-se o tempo em que o horizonte era,
Mais do que o local onde o Sol descansava,
Era o local onde o Sol nascia.
O que talvez pareça covardia,
Seja a coragem de poucos,
De fugir em definitivo,
Da prisão perpétua,
De livrar-se da senzala,
De dar descanso às já extintas lágrimas.
Julgar este caminho,
Seja talvez,
A certeza de que a timidez dos sentimentos,
Impede que outro coração,
Que não o seu,
Desfrute de suas virtudes e problemas.
Faço-me das palavras de Drummond,
E rego a Flor pela última vez,
A cada letra escrita,
A cada movimento.
Os sentimentos tornaram-se mais importantes até,
Do que o próprio corpo que os faz.
Deixo os sonhos,
Para os pássaros que ainda voam,
Para que possam levá-los aos céus,
Para que possam semeá-los,
Por todo o jardim onde haja uma muda,
Dando seus primeiros suspiros,
E trazendo ar puro aos seus campos.
Deixo o amor,
Para aqueles que ainda não o conhecem,
Para que,
Quem sabe,
Provem dos seus melhores frutos.
Deixo as mãos,
Para aqueles que delas precisam,
Por não perceber que têm suas próprias.
Deixo aquilo que,
Não cresce mais em mim,
Que tanto me fez,
Para aqueles que a façam inflar,
Que a tornem bela e lapidada.
Deixo tudo em nome da esperança,
Em nome do tempo,
Que se tornou a única certeza,
E que mantém as respostas,
Em completo e absoluto segredo.


M. Fróes
06/12/2005