Sunday, May 20, 2007

Confusão

Eu sei que nunca mais poderei ser eu mesmo,
Não mais tocar canções afinadas com o desejo,
Com o vinho suave de cada copo...
Permaneço sentado,
Estático,
Pedindo ao dia que não volte mais,
Enquanto as sombras são as únicas chances,
E ocupam-se em me esconder,
Acabar tudo em só mais uma noite...
Não há motivos para chorar,
Ela virá de qualquer forma,
Sempre esteve atrás da porta.
A próxima pode ser a última,
Ou nem ser mais a próxima.
Sei apenas que ao terminar o copo,
Jamais voltarei a beber,
E atravessar a rua,
Esperando a promessa da volta do que,
De alguma forma,
Viveu apenas em mim...
Serei o próximo a partir,
Deixando-me em cada virada,
Enchendo de falsas esperanças,
Os pulmões tristes que se embebedam de gás.
Arrancar-lhes-ei os olhos,
Colocarei espinhos em gelo,
Para que ao tocar do meu adeus,
Derretam por dentro dos sorrisos,
E se misturem ao vinho...

m. fróes
20/05/2007

Thursday, May 03, 2007

Escrevo em sangue...

Escrevo em sangue,
As paredes do silêncio,
O eco de cada palavra,
Que não me deixa mais dormir...
Entre lembranças e suicídios,
Engolir calado o desabafo de um falso poeta,
Que não conhece a verdade,
Que engana-se com suas próprias razões...
Através das mãos,
Da pena,
Sugo o passado do sempre,
Derramando-o no presente,
Completamente em vão...
Descrever cada detalhe,
Em dolorosas regressões,
Suando frio,
No desespero do canto,
Entre gritos roucos,
Solitários,
E apenas interrompidos,
Pelo ofegar dos pulmões...
Os olhos conformam-se,
Deixando-se entregar ao hoje,
Sentindo agora,
Apenas em sonhos,
O doce toque do anoitecer...
A perfeição de cada instante,
Em cada encontro de lábios,
E o disparar da ansiedade,
Contando cada pulsar no peito,
Único,
Apenas por mais um momento,
Nada mais...
Ao final de cada peça,
O fechar das cortinas,
O apagar das luzes,
É hora de seguir em frente,
Sem rumo,
Sem destino...
De que valem as flores,
Que murcham ao entardecer?
Ou as palavras,
Que se iludem em aflição?
O peso de cada acorde tocado,
De cada piano,
Que encanta-se em uma mesma melodia,
Repisada,
Eternamente sem fim...

m.fróes
03/05/2007