Friday, June 15, 2007

Reflexão

Como é bom poder sentar sobre o verde,
Sentir cada pingo de chuva molhando os cabelos,
E descendo pelos olhos,
Levando seus segredos ao oculto,
Transformando-os apenas em segredos...
A explosão de cada momento,
Escondido em cada palavra não dita,
E que nunca voltará a ser lembrada...
Por que simplesmente não sentimos?
Sempre provando a nós mesmo que podemos,
Mesmo quando tudo se torna impossível,
Em linhas quase que circulares,
E levamos as mãos sobre um papel...
Choramos em gritos silenciosos,
Os sonhos não libertos,
A angústia de saber que tudo será esquecido,
Ao nada perdido,
Sem ao menos ter começado...
Talvez sejamos apenas palavras,
Ditas em versos soltos,
Insignificantes,
Que tenham algum sentido em seu final,
Exatamente como jamais fui capaz de entender...
Olhando fixamente para cada porta-retrato,
Percebo novamente cada fria lembrança,
Levada com o pôr-do-sol,
Ao fim do dia,
Assim como em seus insistentes pedidos,
Que enquanto o passado existir,
Não serei capaz de compreender...


M. Fróes
15/06/2007

Sunday, June 03, 2007

Despedida

Cada momento,
Cada instante,
Que não voltarei mais a ver...
Com o hoje,
A certeza de que serei apenas para mim,
Nada mais...
Sobre uma sombra,
Cantar em versos a aflição dos olhos,
A angústia do violão,
O anoitecer da manhã...
Pobres palavras,
Que em incansáveis regressões,
Não dizem nada,
Nem mesmo a mim...
Aos que ainda cantam,
Estarei em algum lugar distante,
Ouvindo as suas canções,
E em absoluto silêncio,
Rasgando cada retrato,
Cuidadosamente...
A chuva apaga cada resto de sonho,
Levando a vida,
Confundindo-se em lágrimas...
Por tantos dias,
O caminho estará em branco,
Coberto por plantas,
Vestido de passado,
Até nunca mais...
Despeço-me de mim,
Desfazendo-me em música,
Entoando uma nova melodia,
Que jamais voltará a ser ouvida...



m. froes
03/06/2007