ENSAIO DA VIDA
Fala da tua dor, tudo que não cantou, serena e incerta. Usa a minha voz, que agora cala, no silêncio do que sobrou, da minha calma. Traduz em memória, esgota a trajetória, que sequer foi iniciada. O tempo tratou de apagar, passou antes de parar. Tão longe quanto a fumaça, tragada a cada nota tocada, bebida a cada palavra valsada. Talvez não fosse valsa, só enredo de quase nada, versado aos ouvidos de ninguém, rima inacabada. De longe vejo a caminhada, na estrada que não alcancei. Não há mais poetas, as ruas sonham caladas, amarguram a própria esperança, “a cidade abandonada”. Fecha os olhos, respira a tua alma, escuta nossa voz, se acalma.
m.froes
27/04/2020

