Hoje não quero falar de amor,
De amigos ou desilusão,
Sem choros de alegria ou torpor,
Sem saídas e sem reclusão.
De devaneios, me basta Drummond,
Sem pontos, vírgulas e exclamação,
Não importam harmonia e tom,
Sem gaitas, pandeiros e violão.
Dos sentidos vazios da palavra,
Lógicas infensas ao prazer,
Aos líricos versos em própria lavra,
Que ainda estão por escrever.
Sangrar em poemas e rimas,
Beirando margem assinada,
Transformando dias em climas,
Nadando em roteiros de Kurosawa.
Da leveza fria do dicionário,
Ao real toque do cenário,
Dos escritos, a minha mão,
Dos sons, a minha canção.
m. froes
21/08/2014

