Thursday, August 21, 2014

Hoje não quero falar de amor,
De amigos ou desilusão,
Sem choros de alegria ou torpor,
Sem saídas e sem reclusão.

De devaneios, me basta Drummond,
Sem pontos, vírgulas e exclamação,
Não importam harmonia e tom,
Sem gaitas, pandeiros e violão.

Dos sentidos vazios da palavra,
Lógicas infensas ao prazer,
Aos líricos versos em própria lavra,
Que ainda estão por escrever.

Sangrar em poemas e rimas,
Beirando margem assinada,
Transformando dias em climas,
Nadando em roteiros de Kurosawa.

Da leveza fria do dicionário,
Ao real toque do cenário,
Dos escritos, a minha mão,
Dos sons, a minha canção.

m. froes
21/08/2014

Friday, August 15, 2014

Regredindo a registros em regiões remotas do passado para regularizar as lembanças e relembranças repletas de re-histórias da vida que, regredindo, as revivemos uma a uma, e as realmente boas, que regeram os caminhos, que regeneraram a alma, regulamentam e refletem servindo como uma espécie de reguletes para as portas retráteis dos nossos costumes e tempo, ressurgindo sempre como uma espécie de regalo. 

Reparando nesses retornos, revemos algumas revisões revigorantes: a regra era o remetente reutilizar os dias e amigos em junções e reinvenções repetidas. Repare, recorrer aos mesmos locais e retirar frutas do quintal alheio de repente. Reconheço: ri! Requalificamos nossos remetidos, conteúdos simples reviraram-se em repentes. Pensamos: regimentos que regem a conduta dos adultos repreendem ou recriminam o resgate dessas irreverências? Se sim, reivindico essa régua do tempo sem fundamento! Somos adultos, mas devemos retornar e reconhecer os nossos realentos. Posto isso, retornamos ao cerne do reativamento dos contatos regulares de nós mesmos, respondendo as nossas próprias retóricas. 

Recorrer ao reprise para nos realegrar, realizar, reprojetar, reter raras tristezas, fáceis de regenerar. Revirar o que não há como reeditar para se recompensar. O que reflete, restringe. O que restringe, refrata.

Retado da gota isso tudo.

m. froes
15/08/2014