Saturday, February 10, 2007

O Vale

Com um tropeço,
Descer o vale,
Imóvel,
Vendo novamente todo o caminho de ida...
Uma rocha capaz de segurar,
Congelando o girar dos olhos,
Desenhando a timidez da paisagem,
Clareando os pássaros negros,
Voando em círculos,
À espera da batida do pulsar silencioso...
Confortar-se com os suspiros desafinados,
Tentando alcançar as mãos estendidas ao declive,
Frias,
Cansadas...
Enfim aprender,
Sentir a chuva rasgando a dor,
A fuga dos que descem,
Sem deixar sinais,
Por não terem visto além do olhar,
Além dos versos...
Fechar os olhos,
Viver novamente,
Agora em sonhos,
Os cantos e os palcos,
O nascer do sol numa manhã de domingo,
Refletindo em seu rosto,
E enchendo os pulmões com um simples sorriso,
Não mais do que um sorriso...
Mais uma vez,
Escorrendo em si,
Pelos lábios trêmulos,
O frio do suor,
O ritmo do coração inocente...
Confiar o destino ao destino,
Escutando cada música como se fosse a única,
A última...
Deixar que cada choro dê sentido às suas lágrimas,
Recolhendo-se na tortura do pensar,
Equilibrando-se nos próprios sentimentos,
Na ilusão de ser o único...
E finalmente quando dormir,
Ter a certeza de ser apenas um sono,
O primeiro de muitos...



M.fróes
10/02/2007

Thursday, February 08, 2007

Apenas palavras soltas...

Em seu andar,
Mais uma vez os olhos refletem,
A imagem do inevitável,
Do passar das horas,
E dos dias,
E dos céus...
Nada nos segundos,
E em planos para o amanhecer,
Em seu peito a morte declarada,
Debaixo de uma sombra tenta se convencer...
Segura-se em mãos frágeis,
Arranhando seus pulsos,
Banhando o próprio ser...
A partida de um coração,
A cada momento,
E a poeira lavando cada canto novo,
Vazio,
Soprada pelo vento...
As águas fogem às margens,
Desfazendo os caminhos nunca traçados,
Cuidadosamente desenhados pelo ontem...
O futuro está a sua frente,
Através de um violão é capaz de ver,
Notas e poesias falsas,
Como quem observa pássaros de baixo,
Vendo-se em asas...
De olhos fechados,
Sobre o verde das sombras,
Desejando nunca ter ouvido o canto,
Arriscando a própria alma,
E vendo partir em direção à vida...
Com as mãos trêmulas,
E a coragem que lhe resta,
Contando suas façanhas quase conseguidas,
Às árvores e paredes,
Esperando a hora de viver...


M.fróes
08/02/2007